segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Soneto da Fidelidade - Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e darramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, pôsto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Reflexo



















   "Eu tenho olhado no espelho por tanto tempo
 que cheguei a acreditar que minha alma estava do outro lado."

   Olho minhas formas, olho-as sem razão de olhar, tentando por
entre metáforas desvendar o segredo de meus traços. Penso 
profundamente, sinto intensamente, falo gentilmente, porém,
meus traços não são característicos desta descrição.
   Houve um momento que deparei-me com um espelho de alma,
onde foi-me concebida uma clara visão de espírito. Era meu próprio
espírito. Não refletia-lhe olhos tristes, nem um rosto marcado, nem
uma boca que aparentemente dizia palavras duras. Refletia-lhe 
olhos esperançosos, um rosto amigo e uma boca doce. Pela primeira
vez pude enxergar-me através de minha matéria. Peguei este espelho e 
guardei-o em um lugar seguro.
   Era os teus olhos.

Sei que penso em versos

Sei que penso em versos
E todos os pensamentos surdos
Em uma folha com brancos espaços,
Eu escrevo meus versos mudos.




segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Como se fosse...

O vento beijando as folhas livremente
O direito de sentir e não existir
Estar em todos os lugares manifestando-se ou não
Pensar com sentimento e a razão de sentir

Todos esses pensamentos figurados
Esconder e abrir-se
Devaneios contínuos de pensamentos permanentes
Saber que não é permitido, embora agir.

Respeitar e cada dia mais querer-te
Não poder dizer o porque do sorrir
Não ligar com contradição de princípios pessoais
A tentação de agir e não resistir

O desejo da alma dialogando com o do corpo
Não saber o que é o amor e mesmo assim amar
Ver-te e tocar-te em uma única combinação
O objetivismo de um simples olhar

Sentar-me em um lugar sem inspiração
Satisfazendo-me com a idéia de ter-te
A solidão de minha mente sem idéias
E rimas para você eu escrever