O que tenho para contar a vocês é algo muito doloroso, que se passa somente em minha cabeça. Tudo o que podem ler aqui, é minha vida, unicamente e exclusivamente a matéria, as imagens os sons... Tudo meu. Não me perguntem como é que pude documentar tudo isso, toda essa história dolorosa, porque também não posso lhe responder, meu senhor.
Sei que tenho pouco tempo de sobra, que minha vida está por um sopro, mas mesmo assim me arrisco a compartilhar o que foi e como foi, desde os mínimos detalhes o que posso chamar de vida. Uma simpática enfermeira que veio me visitar agora pouco, disse-me que antes de morrer nós podemos ver toda a nossa vida passando diante dos nossos olhos, claramente como se fossem páginas abertas de um livro tão conhecido... Talvez isso esteja acontecendo agora, ou talvez eu esteja apenas delirando.
Nasci em um sítio não muito longe daqui, porém nunca retornei ao meu lar. Minha mãe biológica teve muitos filhos e eramos de uma família muito pobre, então não tive outro destino além de ir para adoção, eu e meus irmãos. Não fiquei muito tempo no orfanato porque logo, em menos de algumas semanas uma família foi visitar outras crianças e de súbito interessaram-se em mim. Inicialmente fiquei assustado, pois nunca pensei que poderia ser feliz longe de minha mãe biológica que eu sentia tanta falta.
Um mês se passou na casa de meus novos pais, minha mãe que se chamava Leonora era muito carinhosa comigo. Ensinou-me várias coisas e a coisa de mais valor que ela pôde me ensinar foi o amor. Ah, como fui amado... Meu pai, por outro lado, nunca mostrou-me muito de seu lado carinhoso. Ele se aplicava a disciplinar-me e a ensinar-me bons modos. Glorioso e misterioso homem esse senhor chamado Jonas, com quem eu pude aprender muitas coisas também. Entre elas, a amizade.
Anos e anos foram se passando lá na casa de meus pais adotivos, cada dia era um dia feliz e eu sempre podia correr para lá e para cá e brincar com as outras crianças. Até que virei adolescente e minha adolescencia não foi muito diferente. Fui um jovem muito saído. As vezes, quando saia para as festas, voltava depois de dias e dias para casa. Minha mãe ficava muito nervosa comigo e preocupada também... Meu pai não gostava daquilo e algumas vezes me batia e me deixava de castigo, mas claro que não adiantava. De menino levado que era, eu sempre conseguia achar uma maneira de escapar.
Ainda na minha adolescencia, conheci uma garota muito bonita, chamada Juliana. Ah, como era graciosa... Juliana, como sinto saudades dos tempos em que nós eramos apenas dois amantes perdidos nesse mundo, grande e vasto mundo, cruel e bondoso.
Casei-me com Juliana, como o senhor já deve estar prevendo. Tivemos 3 filhos, fomos uma família muito feliz. Recordo-me que certa noite, Juliana dormia com as crianças no colo. Fiquei horas e horas apenas olhando-as, admirando e pensando quão feliz eu era por possuir tal família linda e grande.
Mas nem tudo é felicidade, não é? Já na minha velhice, minha mãe faleceu. A bela Leonora que tantas e tantas vezes perdia seu sono comigo, quando eu era apenas uma criança assustada por causa da chuva e dos trovões, que me pegava no colo e cantava para mim... Leonora, a bela mulher de cabelos loiros que sempre estava lá para me abraçar e me aconselhar. Jonas, meu pai, foi a loucura. Também já na velhice, resolveu mudar-se e me deixar com Juliana e as crianças sozinho. Aí que as coisas começaram a ficar péssimas.
Como bom pai de família, fui atrás do pão de cada dia, tentava de todas as maneiras prosseguir com a vida sem deixar que a tristeza da morte de minha mãe e da fuga de meu pai não abatessem a mim e a minha família. Consegui manter as coisas estabilizadas por uns meses. Não consigo medir o tempo que se passou, exatamente. Foi aí que Juliana, em um passeio com as crianças, sofreu uma grande desgraça. Nossos filhos, tão pequenos, bebês, inocentes, foram sequestrados! Uma tragédia... Por sorte Juliana também não foi violentada e levada, ela pôde correr... Deus sabe o quanto ela lutou para ter as crianças de volta, mas não conseguiu. Claro que tentamos recorrer a ajuda, mas ninguém nos ajudava.
Pobre Juliana, pobres crianças... Pobre de mim. Fiz o que pude para acalmar minha esposa e convencê-la de que moveríamos céus e terras mas conseguiríamos encontrar nossos filhos... Mas foi em vão. Uma doença pegou em cheio minha mulher, e a consumiu durante meses. Sofremos, tentamos curá-la mas foi em vão. Juliana faleceu.
Eu estava completamente sozinho, sem mãe, sem pai, sem esposa, sem filhos... O que me restava? Para quê continuar lutando? Estava sem casa também, abri mão de tudo o que tinha para tentar curar a doença de minha mulher. Sozinho e completamente abandonado. Eu sobrevivia de doações de pessoas que me viam naquela situação. Alguns me davam água, outros comida... As vezes não me davam nada e eu ia dormir em qualquer lugar da calçada com a barriga roncando.
Toquei a vida assim, ainda alguns anos, até que resolvi me mudar. Decidi peregrinar até a cidade vizinha. Estava faminto, era um dia de muita chuva. Estava muito frio, ninguém me dava carona e não posso culpá-los, pois eu parecia imundo... Poderiam até me confundir com um criminoso ou alguém que portasse alguma doença transmissível. Comecei minha peregrinação, debaixo da chuva e do frio.
Andei metade do caminho, mas em um certo ponto comecei a ficar muito fraco. Minhas pernas desobedeciam, minhas vistas começaram a me enganar e eu tinha de atravessar a pista. Tinha de atravessar, porque do outro lado tinha uma árvore carregada de frutos caídos onde eu poderia deitar lá e descansar. Talvez comesse alguma coisa, talvez não, varia a sorte. Tentei atravessar a pista, muitos carros, muita chuva.
Até aí, tudo o que me lembro foi de uma busina, em algum lugar bem distante. Uma luz em meu rosto e até em fim a dor. Senti que fui atropelado e que em algum lugar entre meu peito e minha barriga havia um buraco. Não conseguia sentir minhas pernas. Não sei quanto tempo fiquei estirado ali, mas ouvi uma voz dizendo: Vamos tirá-lo daqui, vamos dá-lo uma morte digna. Vamos arrastá-lo para o outro lado da pista.
Fiquei lá durante toda a noite e senti que lá minha vida e minha trajetória estaria no fim. Lembrava de minha mãe, de meu pai... Lembrava das manhãs felizes que passávamos juntos. Lembrei do amor de Juliana e das crianças dormindo em seus braços... Até que ouvi uma voz distante, de um menino que me encontrou lá e disse: Mãe, mãe, venha cá! Corre mãe, corre!
II
- Põe ele ali - disse um homem de jaleco branco.
Pegaram o cão e o colocaram ao lado de um outro que era branco com manchas marrons. Ele estava muito fatigado e parecia feliz, apenas estava magro por causa da fome, mas não tinha nenhum machucado e nenhuma doença.
Um outro homem que não usava jaleco virou-se para o cachorro moribundo que foi encontrado no acostamento perto dali e pensou em quais seriam os pensamentos finais daquele animal. Que bobagem, animais não pensam, tampouco sentem.
- Não vai doer nadinha rapazinho - disse o homem de jaleco branco, aplicando-lhe a injeção letal. Poucos minutos o cão estava morto, tinha acabado o sofrimento por fim. Mais uma pobre vítima de abandono.
O homem da agulha cruel voltou-se para outros 10 animais (estes sadios) e voltou a fazer o seu trabalho enquanto pensava "que bom que nós seres humanos somos racionais e superiores."
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
sábado, 8 de dezembro de 2012
Good-bye 2012.
"Ainda me lembro do mundo
pelos olhos de uma criança"
Pois é. Fim de 2012 já, esse ano de tantas realizações, dores e aprendizado.
Era quase 01 de Janeiro de 2012 quando estávamos juntos na AV de José Bonifácio, eu, meu namorado Luiz e minha mãe Dalva. Lembro-me que quando deu meia noite, todos nos abraçamos e dentro de nossas cabeças realizamos muitos planos para esse ano. E agora eu pergunto. Esses planos foram realizados? Analise você, caro leitor. Seus planos foram realizados? Em parte? Pois é, os meus também. Consegui passar 2012 saudável, com minha mãe e meu namorado saudáveis e meu amor por eles só que aumenta.
Estudei? Sim. Como previsto, estudei o ano todo e já como era de se esperar, não realizei minhas provas com a confiança e o resultado esperados. Mas o que posso dizer? As coisas simplesmente são assim. Fiz amizades, consegui criar laços e perdi alguns infelizmente também... Infelizmente algumas pessoas não ficam em nossas vidas com a mesma frequência para sempre.
Sinto que amadureci e que regredi ao mesmo tempo. Como sempre não teria conseguido fazer tantos progressos se não fosse pela minha mãe Dalvinha, e agora com meu namorado Luiz que me ajuda muito a crescer e também a ver meus próprios erros e a consertá-los.
Esse ano pude ir com o Luiz ao show do Evanescence também! Caramba, como amo aquela banda... Por tanto tempo esperei por um dia daquele e finalmente ele aconteceu! Foi mágico... Foi como se todos os meus sonhos, como se todas as minhas fantasias, do jeito que eu imaginava estivesse acontecendo. E estava! Essa foi a grande magia do momento.
O que esperar de 2013? Bom, que tal fazer uma pequena lista? Farei a minha aqui e você faça a sua! Vamos fazer uma lista de objetivos e vamos tentar realizá-los. Não existe vida sem algum objetivo, não existe sentido de viver se você não tem pelo que lutar.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
What shall we do now?
O que faremos para preenchermos os espaços vazios?
Onde ondas de famintos urram
Nós devemos atravessar o mar de rostos?
À procura de mais e mais aplausos
Deveríamos comprar uma nova guitarra?
Deveríamos dirigir um carro mais potente?
Deveríamos trabalhar a noite toda?
Deveríamos nos meter em brigas?
Deixar as luzes acesas
Lançar bombas
Viajar pelo leste
Contrair doenças
Enterrar ossos
Destruir as casas
Enviar flores pelo telefone
Tomar um drink
Ir a um psicólogo
Deixar de comer carne
Dormir pouco
Tratar as pessoas como animais
Treine os cachorros
Corridas de ratos
Encher o sótão com dinheiro
Enterrar um tesouro
Acumular prazeres
Mas nunca relaxar completamente
De costas para o muro
sábado, 1 de dezembro de 2012
Foi tudo apenas um tijolo na parede.
Papai voou através do oceano,
Deixando apenas uma memória,
A foto no álbum da família,
Papai, o que mais você deixou para mim?
Pai, o que mais você deixou para trás para mim?
Foi tudo apenas um tijolo na parede,
Tudo foram apenas tijolos na parede.
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