O mundo em primeira pessoa está meio sem cor. Meio apagado, esquecido, anuviado.
O ranger de coturnos urbanos não me chamam mais a atenção. Vozes desconhecidas chamam-me, respondo-as, sem pressa, desejo, presa ao nada.
Ainda que olhe nos meus olhos ou que eu olhe nos teus, veremos ambos criaturas de olhar apagado. Não porque tens, mas porque assim os vejo. Tempo não é suficiente, a vida continua a não me surpreender, cada passo tenho o destino invertendo o seu sentido, os meus planos, nossas vontades.
Meu café está frio e meu uísque sem gelo. Mas não me importo. Paladar anestesiado reflete o pesar, ações sem destino mostram onde vou parar. Carrossel fora do circo, sem trajeto de círculo, com vínculo de repetição.
Nada me comove, me machuca ou me surpreende.
By: Cristiane Abreu e Naray Pereira.

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