quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A minha alma nem me lembro mais em que esquina se perdeu



   O mundo em primeira pessoa está meio sem cor. Meio apagado, esquecido, anuviado.
   O ranger de coturnos urbanos não me chamam mais a atenção. Vozes desconhecidas chamam-me, respondo-as, sem pressa, desejo, presa ao nada.
   Ainda que olhe nos meus olhos ou que eu olhe nos teus, veremos ambos criaturas de olhar apagado. Não porque tens, mas porque assim os vejo. Tempo não é suficiente, a vida continua a não me surpreender, cada passo tenho o destino invertendo o seu sentido, os meus planos, nossas vontades.
   Meu café está frio e meu uísque sem gelo. Mas não me importo. Paladar anestesiado reflete o pesar, ações sem destino mostram onde vou parar. Carrossel fora do circo, sem trajeto de círculo, com vínculo de repetição.
   Nada me comove, me machuca ou me surpreende.




By: Cristiane Abreu e Naray Pereira. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Psicologia do poeta






















Amanhã partiremos e não possuímos um rotograma.
Quem sabe se hoje já não expirará nossos dias?
Vivendo em um completo engano de categorias, 
Quando na verdade viver faz dos dias um anagrama.

Vai poeta, transforma o sentir num maldito criptograma!
Pensas que entendes da vida e se julga um caxias,
Disfarçando tua frustração,teus medos e tua displasia,
Escrevendo lastimas, tendo a felicidade em um decagrama.

Não sei que pessoa nesse mundo se julga enganar
Que apenas por saber historias e poemas criar,
Conseguirá enfim esconder esse vazio de ti.

Tentando da felicidade alheia se afanar,
Mentiras para ti mesmo balbuciar,
E mesmo sabendo de tudo isso, sorri.


"No fundo, apenas os pensamentos próprios são verdadeiros e têm vida, pois somente eles são entendidos de modo autêntico e completo. Pensamentos alheios, lidos, são como sobras da refeição de outra pessoa, ou como as roupas deixadas por um hóspede na casa." - Schopenhauer.





domingo, 22 de setembro de 2013

blacksti bunk ti bum

   As questões se apresentam para mim como um show sem espetáculo. Um palco vazio, um público distante, amigos esquecidos, pessoas viajadas.
   A vida é o que a vida faz. Simplesmente olhe para si e veja o que vale a pena. Loucura, questões de validade. Você pode dizer que estou louca. Ou é o mundo que está louco comigo? Não posso ouvir você gritando.
   Aliás, não posso ouvir você. Estando muito longe, é dificil viver. Pessoas se beijando por todos os lados, e onde está você? Está ali. Preciso te ouvir, te tocar, preciso de você. Quando você me abraça é
S
I
M
P
L
E
S
M
E
N
T
E

ÚNICO.


pertencer aos braços de alguem.
Pertencer.

CALLLLLLL 911 NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOW
because I need you.
Eu sempre precisei.

OBRA DE ARTE O CARALHO!
vc é o que eu sempre quis e foda-se
I sempre wanted você.

Drunk não Am.
ou maybe eu Am.
to beer ou não ser?
There a question.
Fuck it, I love you.

Longetude
lUcrando com o tempo
luIndamente sendo
luiZ carlos.

Com certeza é para sepre
cArinho é o que não falta
caR we don't have
carL marx without k
carlO cumpadre
carloS é o seu segundo nome.

Perambulando por aí
pErfeitamente escutando
peRcutindo, foda-se
perEctuosamente inventando palavras
pereIterei um nabo
pereiRando um arroz
pereirA é o terceiro

de

Augusto dos anjos
aBre essa porta
abRa, eu não disse?
abrE isso porra
abreU.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bocanho

Neste singelo momento não anseio o bocanho.
O tempo fechado trás uma visão mais clara
Que da vida pobre por ser tão cara
Quando penso em significação me acanho.

Nesse caos chamado vida me amanho.
Coisas que em tempos vindouros amara,
Canções que outrora cantara,
Vejo o quanto me frustra o antanho.

Não é fácil viver cego
Pois ignorar a realidade é frustrante
É viver imerso na tristeza do próprio ego.

E entre toda essa sabedoria que carrego
É doloroso me reconhecer ignorante;
Perdida na significância das palavras que prego.
 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Carta para o eu lírico

     Eu, narrador em primeira pessoa, gostaria muito de compartilhar do desanimo da minha própria alma. Alma? Que alma? - pergunto-me. Matéria, "filha do carbono e do amoníaco." Ouço ruídos que me desalentam, imagens que me anuviam, coisas que me pesam em fazer.
     Tenho 19 anos e com um semblante já tão envelhecido. Pergunto-me como foi que pude ficar assim. Não encontro respostas, apenas visões de infelicidade e o conflito com a tentativa de ser feliz. Quem vencerá? - o leitor pergunta.
     O mundo me machuca, o jeito que tudo funciona me fere. O ultimo suspiro ainda guardado em minha memória, fazendo-me ter a ideia de que morrer é tão insignificante quanto nascer. É nunca ter nascido, é apenas ter existido em um estado miserável e lutado em vão pela vida que não nos quer nesse mundo. Já no primeiro suspiro, ansiamos pelo ultimo. Não há nada, apenas sofrimento.
     De que adianta dizer que "tenho em mim todos os sonhos do mundo" se me custa levantar-me todos os dias e correr atrás deles? Minha cabeça pesa, não aguento mais tanto martírio. Não ouso levantar-me daqui para fazer nada. De que vale? Viver vale a pena? Tão nova e tão cheia de admoestações. 
     A vida é efêmera, as pessoas são ruins e falsas, a morte é injusta tanto quanto a existência. Encontro-me em conflito entre as coisas ruins e boas dentro de mim. Manter-me forte é o necessário, pois se caio, todos caem comigo. Mas ainda não consigo sair daqui e ir lá fora.
     Ainda ontem vi uma explosão de luzes. Imagens calmas em uma cabeça tão cheia. Ainda que nós deixemos de existir, o céu existira. Ainda as outras pessoas existirão, outras vidas. Os mesmos lugares, mesmo ar, mesma insignificância. Ainda que seja por pouco tempo, tendo em vista a idade do mundo.
     Frágil demais para existir aqui, onde tudo é espinho no meu corpo. Quando contemplei aquela criatura inanimada, sem vida, tão desamparada em seu leito de morte, um pedaço de mim morreu também. Não há respostas para as perguntas que me faço, assim como não há sentido lutar pela vida que não nos quer. Ela nos abandona, da forma mais cruel e nem nos dá a chance de nos perguntar porque nos deixa. 
     Pereço nesse incrível nada. Encontro felicidade próximo às pessoas que amo. Pessoas que tanto amo, embora a morte venha buscá-las também qualquer dia desses. E como ficarei? Embutida nessa fossa inevitável, nessa inerente busca por sobrevivência, esperando minha vez chegar. Peço o impossível, peço que não morram! Nunca. 
     Irrita-me e sobretudo me entristece, tudo aquilo que não consigo compreender. Morte, agora falo diretamente contigo: Odeio-te. Contudo me faz de marionete curiosa, rondando a mim e aos que amo. Mundo injusto, injusto digo para não usar de palavras de escárnio. 
     Não tendo mais forças ou vocabulário para usar aqui, terminarei esse diálogo comigo mesma esperando que o lado feliz do meu ser consiga vencer. Que eu consiga achar motivos fortes o suficiente para continuar lutando, para continuar amando, para continuar vivendo.


“Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
                                                 Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
                                                   E há-de deixar-me apenas os cabelos,
                                                    Na frialdade inorgânica da terra!”


Augusto dos Anjos.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O paradoxo

Pensei que sabia o que procurava. Mas percebo que meu vazio é tão grande quanto o meu engano.







   Se eu pudesse, voaria. Lá em cima deve ser maravilhoso. Poderia observar de tudo um pouco, até que não me restasse mais nada para notar. E ainda que não me restasse nada, eu olharia novamente. Novamente e todos os dias.
   Se eu pudesse, viveria no oceano. Lá eu poderia explorar as riquezas marinhas e viveria em paz. Nadaria até não haver mais forças, e ainda que não houvesse forças, eu desejaria nadar para sempre.
   Não posso voar, tampouco viver imersa na água. O vento bate no meu rosto todos os dias aqui no solo terrestre, e o sol vem me esquentar também.
   Daqui já observei o que pude, e muito há ainda para ser explorado. Só vivo me perguntando paradoxalmente se viver faz a dor valer a pena.

 José Bonifácio, 15/07/2013, 04:20 AM.

O teatro

   As horas passam e nada muda. Mesma vida, mesmas coisas, mesma rotina. No trabalho, as mesmas pessoas e em casa também.
   Dentro da gente deveria existir todos os dias algo diferente, para seguir em frente com um propósito. Qual é ele? Todos têm. Alguns pensam nele, outros menos, outros tampouco sabem que o possuem. Mas ele existe.
   Quanto mais cavo dentro de mim, mais posso achar uma busca por tudo, mas sempre chego no mesmo vazio, todos os dias.
   Vivendo o mesmo teatro, os mesmos papéis, mesma fala. Até que o show se acabe, as cortinas se fechem e o público vá embora.

José Bonifácio, 15/07/2013, 04:13 AM.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Conceda-me um pouco de insanidade.

     Hoje olhei profundamente para as estrelas lá em cima. Por que é tão difícil encontrar uma estrela cadente? Ou que seja até um lixo espacial disfarçado de uma. Seria loucura permanecer deitada ou sentada a noite inteira na espera de uma resposta no céu?
     Um sinal, qualquer coisa. Consegues perceber a loucura dessa vida? Não é fácil prosseguir sem resposta. Por que diabos estamos aqui? O que estamos fazendo aqui? Vale apena estar vivo para morrer e ser esquecido? Eu não sou louca. NÃO SOU LOUCA! Sou é muito sã nesse mundo insano. Como pode alguém conseguir ser feliz quando você sabe que seus pais podem morrer de uma forma dolorosa e quando você menos esperar, estará fexando os olhos e sendo esquecido?
     De que adianta ser lembrado em uma década ou duas? De que adianta ser reconhecido depois da morte?
     Não adianta. Não consigo ser insensível a ponto de ignorar tudo isso e continuar vivendo, esperando apenas a morte chegar. Não consigo viver minha vida porque estou presa dentro dela, e me libertar é um preço muito caro que não escolho pagar. Não posso mais continuar sã assim. Vida, me dê um pouco de loucura! Cegue-me com suas fantasias e me faça esquecer da única grande verdade que conhecemos. 
     Conceda-me um pouco de insanidade.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Era uma vez

   Frio e chuva. A calmaria é tamanha que o silêncio frio é dominante e sedutor. Noite nublada e escura, sair lá fora com uma caneca de chá e sentir o cheiro do futuro. É triste conversar, por isso que eu resolvo escrever. Já conheceu alguma vez uma pessoa que não consegue se expressar? Pois é. Quando escrevo é como se todas as infinitas palavras pudessem chover ao meu redor e me dar o que falar. É encontrar um adjetivo para cada substantivo esquecido, aquele que passa despercebido em tudo o que a gente olha. É conseguir descrever uma sensação como o silêncio frio. Alguma vez você percebeu o silêncio frio? Não é aquele quando você recebe um gelo em uma conversa, ou quando é um sinonimo de vingança em um relacionamento. Hoje vou te dizer o que é o silêncio frio.
   É quando você sai lá fora em uma noite como hoje, quando o céu está escuro e nublado e as estrelas desaparecem como se elas nunca estivessem lá alguma vez. É triste imaginar um céu onde as estrelas jamais brilhassem lá, mas como disse um crítico, deixe as estrelas para os astrônomos.
   Então imagine-se sentando no chão frio, apenas com uma blusa finíssima. Você começa a pensar que está muito frio, mas ao mesmo tempo começa a pensar nos seus conflitos interiores que geralmente não tem tempo de muita reflexão durante o dia a dia. Subitamente você realiza que está frio mesmo é dentro de você. É engraçado sentir frio por dentro. Quem nunca? Cientistas me matariam nesse momento se pudessem. Estou dizendo do frio introspectivo, aquele que te agita e te faz ter insônia. É o mesmo que te acorda, porque acordar é ter consciência de quem realmente você é. 
   De noite sozinha no quarto escuro, ainda posso perceber o silêncio frio que me corta em pequenos pedaços de pensamentos. Que me atormentam, que me mantém acordada. Quem nunca conheceu o silêncio frio? 
   Tô começando a acreditar que escrevo melhor do que falo porque tenho tempo para pensar antes. Sei que essa ultima frase não deveria estar aqui, mas deixarei mesmo assim. Boa noite.