Frio e chuva. A calmaria é tamanha que o silêncio frio é dominante e sedutor. Noite nublada e escura, sair lá fora com uma caneca de chá e sentir o cheiro do futuro. É triste conversar, por isso que eu resolvo escrever. Já conheceu alguma vez uma pessoa que não consegue se expressar? Pois é. Quando escrevo é como se todas as infinitas palavras pudessem chover ao meu redor e me dar o que falar. É encontrar um adjetivo para cada substantivo esquecido, aquele que passa despercebido em tudo o que a gente olha. É conseguir descrever uma sensação como o silêncio frio. Alguma vez você percebeu o silêncio frio? Não é aquele quando você recebe um gelo em uma conversa, ou quando é um sinonimo de vingança em um relacionamento. Hoje vou te dizer o que é o silêncio frio.
É quando você sai lá fora em uma noite como hoje, quando o céu está escuro e nublado e as estrelas desaparecem como se elas nunca estivessem lá alguma vez. É triste imaginar um céu onde as estrelas jamais brilhassem lá, mas como disse um crítico, deixe as estrelas para os astrônomos.
Então imagine-se sentando no chão frio, apenas com uma blusa finíssima. Você começa a pensar que está muito frio, mas ao mesmo tempo começa a pensar nos seus conflitos interiores que geralmente não tem tempo de muita reflexão durante o dia a dia. Subitamente você realiza que está frio mesmo é dentro de você. É engraçado sentir frio por dentro. Quem nunca? Cientistas me matariam nesse momento se pudessem. Estou dizendo do frio introspectivo, aquele que te agita e te faz ter insônia. É o mesmo que te acorda, porque acordar é ter consciência de quem realmente você é.
De noite sozinha no quarto escuro, ainda posso perceber o silêncio frio que me corta em pequenos pedaços de pensamentos. Que me atormentam, que me mantém acordada. Quem nunca conheceu o silêncio frio?
Tô começando a acreditar que escrevo melhor do que falo porque tenho tempo para pensar antes. Sei que essa ultima frase não deveria estar aqui, mas deixarei mesmo assim. Boa noite.
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