Viver não é só a mar. Mas se as pessoas não passassem mais tempo do que deveriam com o pé dentro da água, seria muito incolor. Eu prefiro que a maresia dos meus olhos transborde de azul, mesmo que seja só hoje.
Maremoto destrói multidões: ideias, objetos antigos, memórias desses objetos, conceitos de memórias e a família toda das palavras profundas. Seria de se espantar mesmo, se todo esse azul no espelho não virasse desgraça. Afogou, engoliu, bebeu, sufocou, embebedou. Que graça! O mesmo azul lavou, purificou, transpareceu, transcendeu e abalou.
Eu agradeço; se não fosse a maré quebrando fria na minha monotonia, seria uma pena para a arte.
domingo, 5 de abril de 2015
Afogados
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