Cristiane:Incitares
O que o anagrama disse que fui:
Cretina, incerta, escrita, sincera, inércia, certa, anéis, retas, transe, antes e terna.
O que o anagrama disse que sou:
Carne, cetins, sineta, retina, tensa, artes, neta, etnia, rins, anti, acne, íris, isca, cena, ira, ser, sã e ar.
O que o anagrama disse que serei ou poderei ser:
Resina, estria, cristã, seita, trens, teias, Érica, Cristina, César, ceras, reis, tia, rena, Rita, cães,trinca, três e etc.
Deu vontade de não ser abstrata hoje. Por isso vou escrever alguma
coisa sem símbolos no meio de dois poemas complicadíssimos. Exatamente!
São três textos não tão aleatórios, com uma emenda sincera no meio.
Deu vontade de não ser eu hoje. De fugir daqui. Mas isso não é
diário, o mais próximo disso é meu muro das lamentações. Mas lamentação
por lamentação não é arte, então esse meio é um descanso na arte. Esse
meio é indiferença, o que aliás vai ser o tema do próximo poema.
Andei pelas ruas com o frio cortando meu rosto. Parei meus olhos e os
demorei no ponteiro do velocímetro de um carro. Devaneios. Onde estava
eu? Horóscopo não diz. Nem mesmo o anagrama lá em cima não diz. Cadê a
felicidade toda? Para onde foi as expectativas de ontem?
Indiferença.
Estou
indiferente agora. Internei inerente a arte. Tentando entender o que
redefine aquilo que defini ontem. Reeditei, entediei. Larguei a caneta,
joguei-a longe.
Definir é enfeitar? Não mexe muito que fede! Federei então.
Retini: enfiei, drenei e diferi. Inferi que a frente difere de mim, e entrei.
Freei ao ouvir o tinir. Entre aqui mas não faça como eu não! Não freie. Finde ao invés. Finde e deite.
Ninei na noite, teu dente em mim. Direi:
- Rende!
"Is just a ride, is just a ride. No need to run, no need to hide!"
Fite, Irene! Feri a mim. Não é rei, mas ide a ele. Fie a roupa que o rato há de roer.
Ir a ti. Ri de ti. Ri sobretudo de ir-te.
Indiferente.
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